segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Mahatma Gandhi


Pegue um sorriso

Pegue um sorriso
e doe-o a quem jamais o teve...
Pegue um raio de sol
e faça-o voar lá onde reina a noite...
Pegue uma lágrima
e ponha no rosto de quem jamais chorou...
Pegue a coragem
e ponha-a no ânimo de quem não sabe lutar...
Descubra a vida
e narre-a a quem não sabe entendê-la...
Pegue a esperança
e viva na sua luz...
Pegue a bondade
e doe-a a quem não sabe doar...
Descubra o amor
e faça-o conhecer o mundo...
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Se eu pudesse

Se eu pudesse deixar-te algum presente,
deixaria aceso o sentimento
de amar a vida dos seres humanos.

A consciência de aprender
tudo o que foi ensinado pelo tempo fora...
Lembraria os erros que foram cometidos
para que não mais se repetissem.

A capacidade de escolher novos rumos.
Deixar-te-ia, se pudesse,
o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a acção.

E, quando tudo faltasse, um segredo:
O de buscar no interior de ti mesmo
a resposta e a força para encontrar a saída.

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"Quando a última árvore tiver caído,
quando o último rio tiver secado,
quando o último peixe for pescado,
vocês vão entender que dinheiro não se come".

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Saudades...

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Já não Almejo Voar



Poiso as minhas asas corroídas pelo sal das tristes lágrimas
Já não almejo voar
Sinto o negro pesar das ilusões feridas
Não tenho o alento,
Nem a elegância dos sonhos de outrora
Deito-me, escondo-me …
Alma feita em metal de muralhas erguidas
De nada me adianta esperar pela aurora
Cubro-me com o meu manto retalhado de escombros,
Fracturas expostas desta vida inócua e perversa
Tento, em vão, morrer adormecendo
Mas doem-me demasiado as penas murchas pela tua ausência
Agora nem o sono me abraça
Quebraste-me, partiste-me
Seduziste-me nesse jogo de amigo viciado sem clemência
Pintaste-me com o verbo ignorar tonalidade baça
Com salpicos e desenhos de borboletas envenenadas
Rabiscos do teu tom azul tão vulgar e impessoal.
Envenenada pelo teu tom azul banal
Já não almejo voar.

domingo, novembro 02, 2008

Quase


Quase

Um pouco mais de sol - eu era brasa,
Um pouco mais de azul - eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num grande mar enganador de espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho - ó dor! - quase vivido...

Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim - quase a expansão...
Mas na minhalma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!

De tudo houve um começo ... e tudo errou...
- Ai a dor de ser - quase, dor sem fim...
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...

Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...

Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol - vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...

Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...

Um pouco mais de sol - e fora brasa,
Um pouco mais de azul - e fora além.
Para atingir faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...

Listas de som avançam para mim a fustigar-me
Em luz.
Todo a vibrar, quero fugir... Onde acoitar-me?...
Os braços duma cruz
Anseiam-se-me, e eu fujo também ao luar...

Mario de Sá Carneiro

quarta-feira, outubro 01, 2008

O quereres

O quereres

Onde queres revólver sou coqueiro, onde queres dinheiro sou paixão
Onde queres descanso sou desejo, e onde sou só desejo queres não
E onde não queres nada, nada falta, e onde voas bem alta eu sou o chão
E onde pisas no chão minha alma salta, e ganha liberdade na amplidão

Onde queres família sou maluco, e onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon sou Pernambuco, e onde queres eunuco, garanhão
E onde queres o sim e o não, talvez, onde vês eu não vislumbro razão
Onde queres o lobo eu sou o irmão, e onde queres cowboy eu sou chinês

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato eu sou o espírito, e onde queres ternura eu sou tesão
Onde queres o livre decassílabo, e onde buscas o anjo eu sou mulher
Onde queres prazer sou o que dói, e onde queres tortura, mansidão
Onde queres o lar, revolução, e onde queres bandido eu sou o herói

Eu queria querer-te e amar o amor, construírmos dulcíssima prisão
E encontrar a mais justa adequação, tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés, e vê só que cilada o amor me armou
E te quero e não queres como sou, não te quero e não queres como és

Ah, bruta flor do querer, ah, bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper vídeo, e onde queres romance, rockn roll
Onde queres a lua eu sou o sol, onde a pura natura, o inceticídeo
E onde queres mistério eu sou a luz, onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro, e onde queres coqueiro eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal, bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal, e eu querendo querer-te sem ter fim
E querendo te aprender o total do querer que há e do que não há em mim

Caetano Veloso

segunda-feira, setembro 01, 2008

Paisagem



Paisagem

Desejei-te pinheiro à beira-mar
para fixar o teu perfil exacto.

Desejei-te encerrada num retrato
para poder-te comtemplar.

Desejei que tu fosses sombra e folhas
no limite sereno desta praia.

E desejei: <>

Mas frágil e humano grão de areia
não me detive à tua sombra esguia.

(Insatisfeito, um corpo rodopia
na solidão que te rodeia.)

David Mourão-Ferreira

domingo, agosto 24, 2008

Borboleta de Asas de Pecado

Borboleta de Asas de Pecado

Gosto tanto de ti…Borboleta de asas de pecado…
Poderás viver para sempre recortada em outras telas,
Guardada em museus distantes
Rodopiando sobre lirios-roxos de jardins idilicos...
Poderás viver para sempre dentro de flores de cidades separadas por rios sem pontes…
Nada me impede de gostar de ti…
Gosto tanto de ti…Borboleta de asas de pecado…
As tuas asas de encantos e cores majestosas
E o teu interior cintilante
Não me permitem esquecer-te
Por mais que as minhas pernas já não saibam os teus caminhos
E que as minhas mãos já não fiquem trémulas
Estás tatuada na minha alma até aos ossos
E por vezes uma lágrima teimosa desce pela face
e entao assoma a tua imagem diante de mim.