segunda-feira, março 12, 2007
O amor Eterno
E agora que as mãos da incrédula rapariga te empurram para a saída,
onde irá chover, de acordo com a cor do céu, não resistas.
Na rua, onde os ventos se cruzam na esquina,
os que sopram, do norte,
de colinas manchadas pelo inverno,
e os que nascem do rio,
trazendo a impressão húmida do litoral,
acende um cigarro, para que o calor do lume te reconforte as mãos,
avança pelo passeio, enquanto o frio te deixar,
e ouve o canto da água por baixo de terra:
correntes no limite entre o gelo e o fogo,
uma evaporação de humores,
como se as almas lutassem em busca de saída, e,
no fumo de uma memória de mesa antiga,
tu e essa que amaste,
trocando as frases matinais do re- encontro.
Vidros embaciados pelas lágrimas da ruptura,
perguntas sem resposta,
a casa de luzes apagadas,
como se estivesse vazia - e como se não soubesses que os destinos se decidem por cima de nós, onde em cada instante um deus cansado nos desfaz
as inúteis promessas de eternidade.
Nuno Júdice, in "A Fonte da Vida"
domingo, fevereiro 04, 2007
Adeus
Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
Maravilhoso este poema de Eugénio de Andrade
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Ensina-me a Pescar Estrelas
por entre os céus das tuas muralhas de titanio...
Conta-me e ensina-me...
As tuas artimanhas, truques e caminhos
para te deitares sempre sobre um céu estrelado...
e seres tu, brilho, luz alegria e estrela do Norte...
Diz-me , prova-me, que tudo é possível
e que eu aprenderei...
Que amanha como quem sonha
atraveserrei as tempestades...os caminhos
inventarei a poção mágica... e essas muralhas de titanio
transformar-se-ão em muralhas saborosas de chocolate
e cobertas de veludo.
sábado, dezembro 16, 2006
A minha alma sonha contigo

Não te posso contar
o tanto que te estimo
quais caminhos caminhar?
Para ser teu meu mimo.
Não te posso demonstrar
e meus olhos são tristes
como te queria encantar!
Sentir em minha pele que existes
Não te posso contar
que a minha alma sonha contigo
Só me resta imaginar...suspirar...
e tratar-te como um amigo
Não te posso abraçar
suster-te em meus braços...
Nem veludo de estrela inventar...
Para contigo criar laços.
quarta-feira, dezembro 13, 2006
segunda-feira, dezembro 04, 2006
Pensamento II
sábado, novembro 11, 2006
O meu local divinal

Quero encontrar o local divinal...
Não tenho mapa, não tenho pistas...
Esse é o lugar onde querer muito é poder
Quantas vezes vi esse lugar ...nos meus doces sonhos
Posso descrever-to, cada seu milimetro, cada pedrinha dos seus passeios..
As nuvens que são de marshmellows...
Os seus caminhos fazem-te levitar,
as paredes das casas e os muros são versos
toda a gente sorri, no meu lugar não há espaço para o cinzento...
As ruas cheiram a Jasmin , a maçã verde ou a pessego.
Não há pressas nem correrias
lágrimas nunca foram vistas e são um mito...
As más palavras não constam no dicionário...
Podes deitar-te nos bancos de arco-iris dos passeios
ouvir os passaros a cantar ou o som da air on a g string do Bach...
Pela noite, a escada rolante até à estrela do norte está a funcionar
então, podes ir até lá...
Contemplar o seu brilho e perder-te a contemplar todo o universo..
Quando queres algo, com muita alma e a natureza sente que és merecedor
esse teu algo acontece...
Eu hoje, vou-me aconchegar na minha mantinha
fechar os olhos esperançosa e com um sorriso
vou proferir o meu desejo...
quero encontrar o trilho
para o meu local divinal...
quero encontrar a passagem secreta, para o meu lugar divinal...
